Acervo Temático: Lygia Fagundes Telles

Imagem Destacada Lygia Fagundes Telles

A Dama da Literatura Brasileira, Lygia Fagundes Telles, nos deixou no dia 3 de abril deste ano. Referenciada e aclamada escritora de contos e romances, a literatura brasileira com toda a certeza teria sido diferente sem a passagem de Lygia  por ela.

Nascida em 19 de abril de 1923, na cidade de São Paulo, cresceu em cidades do interior do estado de São Paulo, como Sertãozinho. A escritora demonstrou interesse por literatura ainda muito nova e a sua primeira publicação, Porão e Sobrado (1938), ocorreu quando tinha apenas 15 anos, com a ajuda de seu pai. O livro de contos é dividido em duas seções, uma primeira que trata daqueles que viviam nos porões e, na segunda, daqueles que viviam nos sobrados. A crítica não foi consensualmente positiva ou negativa e Lygia nunca aceitou que fizessem uma nova edição do livro.

Lygia Fagundes Telles cursou Direito na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, tendo concluído o curso em 1946. Durante seu tempo na faculdade, conheceu figuras ilustres da cultura brasileira, como Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Ainda na universidade, a autora publicou seu segundo livro de contos Praia Viva (1943) pela importante editora Martins Fontes. O tema central desta obra são os relacionamentos que não deram certo ou se desintegraram. A obra é importante por trazer seu primeiro conto macabro – Além da Estrada Larga ­– e o primeiro conto político – O Comício.

Integrando a academia de letras da Faculdade de Direito, colaborou com jornais, como Arcádia e a Balança. Anos mais tarde, em 1962, lançou seu terceiro livro de contos, O Cacto Vermelho, que foi agraciado com o Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras. Entre os contos, estão O menino e A confissão de Leontina, que voltaram a aparecer em Antes do baile verde (1970), A estrutura da bolha de sabão (1978) e outras obras.

Lygia Fagundes Telles foi casada duas vezes, em 1947 com Goffredo Telles Júnior e em 1962 com Paulo Emílio Salles Gomes, fundador da Cinemateca Brasileira. Trabalhou até se aposentar como Procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo e foi presidente da Cinemateca.

A década de 1970 foi extremamente frutífera para a autora. Em 1970, publicou o aclamado livro de contos Antes do Baile Verde; em 1973, o livro que lhe garantiu o Prêmio Jabuti foi publicado, As Meninas; e, em 1977, a autora publicou O Seminário dos Ratos, pelo qual ganhou o Pen Club do Brasil. Na década seguinte, ingressou na Academia Paulista de Letras e, em 1985, passou a ocupar a cadeira número dezesseis da Academia Brasileira de Letras, se tornando imortal.

Seu reconhecimento não é apenas nacional, Lygia Fagundes Telles teve obras traduzidas para o alemão, francês, espanhol, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco, bem como inúmeras edições publicadas em Portugal. A autora também foi membro da Academia das Ciências de Lisboa.

Em 2005, mais uma premiação foi concedida a ela. Desta vez, durante a 17ª edição do Prêmio Camões, uma das maiores premiações literárias do mundo, Lygia foi anunciada vencedora. Além disso, 11 anos mais tarde se tornou a primeira brasileira a ser indicada ao Prêmio Nobel de Literatura.

Lygia Fagundes Telles foi um dos expoentes da cultura brasileira e sua passagem pela literatura marcou a própria história literária do Brasil. Com certeza nos fará falta, mas sua obra permanecerá por gerações, que continuarão a refletir e pensar a partir de sua sensibilidade, de sua percepção e de seu engajamento político. Lygia tornou-se verdadeiramente imortal.

Escritora Lygia Fagundes Telles morre aos 98 anos em SP/Poder360 (03.04)

A escritora Lygia Fagundes Telles morreu aos 98 anos, em São Paulo, na manhã deste domingo (03.abr.2022). A morte foi confirmada pela ABL (Academia Brasileira de Letras). A instituição informou, em nota, que Telles morreu de “causas naturais”.

Lygia Fagundes Telles: 5 livros para conhecer a obra da escritora/Galileu (04.04)

Conhecida como a “dama da literatura brasileira”, a escritora Lygia Fagundes Telles faleceu neste domingo (3), aos 98 anos, em São Paulo. Afamada por sua elegância e coragem, Telles era uma mulher à frente do seu tempo tanto no mundo das letras quanto na vida, e deixa como legado de sua jornada sublime quatro romances e 20 livros de contos.

Quem foi Lygia Fagundes Telles, a dama da literatura brasileira/Guia do Estudante (07.04)

Nascida no dia 19 de abril de 1923, Lygia Fagundes Telles recebeu em vida a alcunha de “dama da literatura brasileira”. Tornou-se a terceira mulher integrante da ABL (Academia Brasileira de Letras) e narrou em seus escritos histórias de mulheres diversas e independentes. A morte, o amor, o medo e a loucura, além da fantasia eram temas recorrentes em sua literatura, conforme relembrou a ABL.

Lygia Fagundes Telles e a disciplina do amor/Carta Capital (08.04)

Lygia Fagundes Telles, que morreu no domingo 3, aos 98 anos, em sua casa, em São Paulo, deixou muitos livros, muitos troféus e também – não em menor quantidade – muitos afetos.”

Obra e vida de Lygia Fagundes Telles disponíveis no streaming/Estado de Minas (10.04)

A premiada obra literária de Lygia Fagundes Telles, que morreu no último 3 de abril, aos 98 anos, é tema de episódios de duas séries documentais – “Imortais da Academia” e “Mestres da literatura” –, que estão disponíveis nas plataformas de streaming TamanduaTV (tamandua.tv.br) e CurtaOn! – Clube de Documentários no Now e na internet (curtaon.com.br).

Autor: Heloísa Cristina Ribeiro

Heloísa Cristina Ribeiro é bacharel em Ciências e Humanidades e Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC. Foi membro do Grupo de Estudos do Sul Global (GESG/UFABC), do comitê Gestor de Direitos Humanos da UFABC e atuou como Diretora de Assuntos LGBT do Diretório Central dos Estudantes na mesma instituição. Atualmente integra o time de Estudos e Pesquisas da Fundação Podemos.

Esse conteúdo não representa, necessariamente, a opinião da Fundação Podemos.