A Resenha: Spencer

O tão aguardado filme sobre a princesa Diana chegou às telas do cinema. Spencer narra o que supostamente pode ter acontecido nos últimos dias do casamento real entre Diana (Kristen Stewart) e o Príncipe Charles (Jack Farthing). Ambientado no Natal, a trama se passa no palacete real de Sandringham, no Reino Unido.

O filme é dirigido pelo chileno Pablo Larraín (diretor de Jackie, 2016) e tem como protagonista a atriz Kristen Stewart, no papel de Diana, atuando de maneira convincente e fiel aos modos da própria princesa. Aliás, a atuação de Kristen é tão boa que, para os críticos, sua performance é um dos pontos altos do longa. Nesse sentido, certamente ficarão surpresos aqueles que conhecem a atriz apenas pela sequência de filmes da série Crepúsculo (2008 – 2012).

“Me senti viva”, foi assim que a atriz descreveu o seu último trabalho. Ela havia se pronunciado no ano passado afirmando que não sentia orgulho dos filmes e produções que tinha participado, com certeza Spencer lhe rendará o orgulho tão aguardado.

“Mantenha o ruído ao mínimo: eles podem ouvi-lo” é a mensagem que guia o filme inteiro. Angustiante, mas terno, a produção mergulha na vida da tão aclamada princesa, marcante no imaginário da população. Diana, que sempre esteve nos holofotes pela sua beleza, é representada pela sua fraqueza e pela sua força ao mesmo tempo. Seus distúrbios alimentares – a princesa sofria de bulimia, condição em que a pessoa provoca o vômito antes e/ou após as refeições – ganham destaque.

Com uma trilha sonora impecável e que torna o filme ainda mais imersivo, a “assombração” da Rainha Ana Bolena (Amy Manson), segunda esposa do rei Henrique VIII, reproduz alguns traços de filme de terror e aparece nos momentos mais angustiantes da jovem princesa. A Rainha Bolena foi acusada de traição e executada por Henrique VIII, depois de ficar presa na famosa torre de Londres. De acordo com a narrativa proposta pelo filme, fica claro que a Rainha, na verdade, havia sido traída, assim como o Príncipe Charles traía Diana com Camila Parker Bowles (Emma Darwall-Smith), a atual esposa de Charles.

Os períodos de angústia e conflito da princesa são acalentados pelo cozinheiro Darren (Sean Harris) e a camareira Maggie (Sally Hawkins). Seus filhos, William (Jack Nielen) e Harry (Freddie Spry) são apresentados como a âncora de Diana, embora estes não saibam direito o que ocorre com a princesa e mãe.

Uma das cenas de destaque e que provavelmente renderá comentários polêmicos é a improvisação de Stewart. Enquanto Diana brinca com seus filhos William e Harry, os atores fizeram uma cena não roteirizada, baseada puramente no improviso. A dinâmica entre os três atores é maravilhosa e reproduz fielmente a relação entre mãe e filhos.

Por fim, Spencer nos propõe reflexões acerca de qual era o estado de saúde da princesa dentro da dinâmica da família real, além de criar uma fábula dos últimos dias do casamento real. A trama baseia-se em fatos reais, mas grande parte do roteiro foi criada pela imaginação do roteirista Steven Knight (Peaky Blinders, 2013).

Muitos podem achar que a história não vai além de uma trama doméstica, envolvendo os escândalos de uma das famílias mais famosas do planeta. De qualquer maneira, não há como negar que Diana foi uma das principais figuras do século XX e que sua curta vida marcou ferozmente o reinado de uma das rainhas mais longevas da história. Gostem ou não, Diana arrisca ser maior na memória afetiva de todos aqueles que dela lembram em comparação ao Príncipe Charles e à própria Rainha Elisabeth. Vale a pena conferir.