A Resenha: A Sombra de Stalin (2019)

A direção magistral da polonesa Agnieszka Holland (também diretora de Europa Europa, 1990) é o ponto diferencial do filme. A Sombra de Stalin retrata a história de Mr. Jones (James Norton), jornalista galês que viaja para a União Soviética de Josef Stalin com algumas perguntas: como era possível o sucesso financeiro e econômico de Moscou? Como o Estado conseguia se financiar na década de 1930, enquanto a maioria dos Estados Ocidentais sofriam com a crise de 1929?

De início, o filme não se mostra tão cativante, a história demora a se desenrolar e Mr. Jones é retratado como um jovem com ideias brilhantes, mas que não era levado a sério pelos círculos influentes de políticos britânicos. O filme tem um ponto de virada interessante que é quando o jovem decide ir a Moscou, mesmo tendo sido demitido de seu cargo como correspondente internacional do ex-premiê britânico Lloyd George (Kenneth Cranham). Elementos do filme já trazem a situação real da União Soviética: o controle da população e de seus visitantes.

O filme de 2019 e disponível na Netflix fica mais emocionante com a chegada do jovem, que havia entrevistado Hitler, em Moscou. O jornalista se vê encantado num primeiro momento com a luxuosidade da cidade, a organização, mas parece desconcertado com as noites de orgia e farra. Com outros jornalistas, o jovem começa a conhecer a realidade do regime de Stalin, com conversas nas surdinas, tópicos que não podem ser perguntados ou falados e até com a morte misteriosa de um amigo.

É neste momento que ele decide viajar ao Sul, mais precisamente à Ucrânia. Inicialmente convidado por um oficial russo para conhecer o aparato militar a ser construído como demonstração de força da União Soviética, se desvencilhando de seu acompanhante, Mr. Jones inicia sua trajetória na Ucrânia, fugindo de tiros, encarando a fome e se deparando com a miséria. Elementos reais foram mesclados com fictícios pela roteirista Andrea Chalupa, como o encontro posterior com George Orwell.

O personagem principal, por ter visto a dura realidade dos ucranianos, é expulso da União Soviética, chantageado para não falar sobre o que viu. O filme é uma obra prima para aqueles que se interessam por história, jornalismo, cultura e até mesmo serve como norte para compreender a relação da Rússia com a Ucrânia. A reverenciada diretora, que já concorreu a três Oscar pelos filmes “Colheita Amarga” (1985), “Filhos da Guerra” (1990) e “Na Escuridão” (2011), viu mais uma de suas obras concorrer a prêmios internacionais renomados, como o Urso de Ouro (Berlim), além de ter recebido o prêmio Golden Lions do Festival de Gdynia.

Ficha Técnica:

Nome: A Sombra de Stalin

Ano de produção: 2019

Duração: 1h 58min

Dirigido por: Agnieszka Holland

Elenco Principal: James Norton, Vanessa Kirby, Peter Sarsgaard.

Plataforma de Streaming: Netflix

Autor: Heloísa Cristina Ribeiro

Heloísa Cristina Ribeiro é bacharel em Ciências e Humanidades e Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC. Foi membro do Grupo de Estudos do Sul Global (GESG/UFABC), do comitê Gestor de Direitos Humanos da UFABC e atuou como Diretora de Assuntos LGBT do Diretório Central dos Estudantes na mesma instituição. Atualmente integra o time de Estudos e Pesquisas da Fundação Podemos.

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